Pular para o conteúdo principal

Aos que defendem redução maioridade penal!

Você não entra na comunidade pra nada, a não ser de vez enquanto pra visitar a boca de fumo, se não faz isso, sabe que seu amigo faz, que seu filho faz, se não, por conveniência compra de alguém que o faz pra você e revende com um preço mais alto que você pode pagar. É muito arriscado preparar a droga nos bairros, então manda pra cá, onde tem mão de obra esquecida, reprimida, sem escola, sem acesso a cultura, sem acesso a saúde. É, aqui não tem plantação e laboratório de refino. Você mão vem aqui pra anda mesmo, não conhece a realidade, a não ser a sua, mas com ela é conivente.

A comunidade no entanto, entra no seu bairro todo dia, só que para trabalhar. Nas fabricas os cargos altos são reservados pra quem tem bocada, pra quem for filho, parente ou amigo bem próximo da chefia. Eu mesmo nunca vi ninguém aqui na vila ocupando cargo alto em nenhum emprego, quando essa regra, por exceção muda, é porque a própria pessoa já mudou também, deixou de reconhecer os seus e se espelhou no próprio opressor. Tudo tem um preço neste sistema. E o preço das faxineiras, do olhadores de carros e dos vários e várias serviçais que cuidam dos bairros nobres, que gastam mais tempo trabalhando, indo e voltando do trabalho do que na sua própria casa ou na sua própria comunidade e muito baixo. É um preço muito baixo para tanta ignorância de quem defende redução da maioridade penal, de quem defende repressão policial nas comunidades com tanta hipocrisia!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Colorido só por fora: contos periféricos

Lançado em 17 de julho de 2015, na periferia de Contagem (MG). "Colorido só por fora: contos periféricos" reúne doze contos que narram o cotidiano da periferia mineira. Com uma proposta de obra interativa, a capa do livro pode ser colorida pelo leitor. Cada capa pode ser única, diferente e compartilhada no blog ou no facebook do autor. AUTOR: Jessé Duarte REVISÃO: Fabiola Munhoz ILUSTRAÇÃO: Rodrigo Marques PROJETO GRÁFICO: Gilmar Campos ORIENTAÇÃO: Filipe Fernandes EDITOR: Marcelo Dias Costa CLIQUE AQUI PARA COMPRAR ******* APRESENTAÇÃO Por Daniela Graciere Atriz, artista visual e pesquisadora cultural de Contagem (MG).  Um sentimento paradoxal me vem ao ler “Colorido-só-por- fora”. A beleza das palavras sobre algo triste da periferia, que por muitas vezes, não passa de ser a simples realidade encontrada sob uma ótica de um ator marginal. Alguns podem achar fatalista, no entanto, a fatalidade está escancarada na realidade que é pintada por...

Apoema Sarau Livre: poesia pra quê?

Por, Jessé Duarte Este texto é uma contribuição reflexiva sobre uma ação cultural independente e seus desdobramentos para a cidade de Contagem, MG. Contagem produz mais do que fumaça, só é preciso olhar através do fuligem abandonada pelas industrias. Apoema, palavra da língua Tupi, significa: aquele que enxerga longe.  Apoema Sarau Livre e a realidade cultural de Contagem O “Apoema Sarau Livre” começou em 2013, tendo diante de si, o desafio de enfrentar as barreiras geradas por um contexto social marcado pelo abandono cultural histórico na cidade de Contagem. A população não encontrava opções de acesso a cultura, estabelecidas e desenvolvidas de forma continua. Quase sempre, restava apenas a escolha de migrar para Belo Horizonte em busca de alternativas.  Contagem, é uma das maiores cidades de Minas Gerais, sendo a terceira mais rica e contraditoriamente uma das piores em qualidade de vida. No campo da cultura, a realidade marcada pelas politicas de...

SEM IPTU CONTAGEM ESTÁ ENTRE AS 30 CIDADES MAIS RICAS DO BRASIL

Vejam bem: o Brasil tem 5.570 cidades, Contagem está entre as 30 mais ricas do país. Isso mesmo, eu disse, entre as primeiras mais ricas em um país com milhares de cidades, segundo o IBGE. Mesmo assim, os nossos vereadores e o novo prefeito Alex de Freitas (PSBD), bem como, uma parte da população privilegiada, ou que se acha privilegiada, acredita que é muito necessário voltar com a cobrança de IPTU residencial. A isenção deste imposto é uma conquista da população, não é cobrado há 27 anos, e foi sem ele que a cidade alcançou essa posição entre as mais ricas do país. Não falta dinheiro, falta é vergonha na cara. Falta os políticos pararem de roubar, pararem de fazer ONGs e projetos sociais para lavarem o dinheiro que recebem dos acordos. Falta o Ministério Público deixar de omissão e investigar os absurdos que acontecem em Contagem de maneira escancarada, como por exemplo, áudio de deputado falando nitidamente que desviou dinheiro da saúde para sua campanha; ou a autorizaçã...